quinta-feira, 22 de março de 2012
Pluviana
quinta-feira, 15 de março de 2012
O GELO
Eram duas pessoas. Eles estavam vestidos de calça, colete e chapéu coco. Usavam uma bengala, que tinha uma adaga escondida. A primeira era uma garota, usava um cílio postiço debaixo do olho. O segundo era um garoto negro com olhos brancos. Não faço a menor idéia de como eles vieram parar na minha frente.
Não aguentando mais olhar para aquele corpo, saí e segui para casa. A noite estava silenciosa e fria, eu andava olhando para trás o tempo todo, e tinha a nítida sensação de que estava sendo seguido. De repente uma voz de garota começou a zumbir na minha cabeça dizendo: “Nós vamos até aí. Você é o nosso brinquedo. Vamos assustar e atormentar, minha adaga vai passar por sua espinha, minhas agulhas serão cravadas no seu corpo. Nós beberemos o seu sangue.”
Era uma alucinação, isso não podia ser uma coisa lúcida. Não tinha fundamento, tentava esquecer, mas a voz voltava: “Vamos beber o seu sangue”. Não parava, e continuei a andar, até que parei diante de uma garota de chapéu coco, camisa rosa e colete preto. Ela disse “Oi" e eu senti a adaga entrando no fígado, virei para trás e o garoto de olhos brancos fez uma cruz no meu peito. A garota pegou minha cabeça e girou como se fosse um boneco. Depois desse instante eu sabia que não estava mais entre os vivos.
Vi o meu corpo, mas também vi os dois atravessarem as paredes da rua. Pensei: eles também estão como eu. Segui os dois, e eles atravessaram a parede de um prédio envidraçado, cheio de frescuras tecnológicas. Entrei, e eles não sabiam que eu estava ali. Entrei num corredor cheio de salas, eles atravessaram uma delas; seus corpos atravessaram um esquife metálico como uma jaula, e vi os dois dormindo. Olhei ao redor e tinham outros. Tinha um mural lá e uma matéria de jornal: “Assassinos são usados em experiência de criogenia.”
Então minha cabeça tentou acreditar no absurdo que se passou nela. Mas não podia fazer nada, eles atacariam mais uma vez antes que a morte definitiva os pegasse. E durante os seus poucos dias na Terra eles atacariam e não tinham forma, não tinham sangue. O que tinham era nitrogênio líquido nas veias.
quinta-feira, 8 de março de 2012
*haiku*
Cada dia nasce com o Sol
Dorme com a lua
A chuva cai
Sopra o vento
Levantar e seguir
Cair e levantar
Estender a mão
Contrair os lábios
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Algo de novo, será?
Poderia reinserir a postagem, mas já o fiz por duas vezes e verdade seja dita: já dei bastante ibope pra algo que é apenas um trivial exemplo do quanto nossa espécie pode ser manipuladora, mesquinha e egoísta...
Quer saber mais? Acesse um dos links:
http://omaldocoracao.blogspot.com/2012/02/quem-fala-muito-mas-nao-ouve-merece.html
http://paraninguemcartas.blogspot.com/2012/02/quem-fala-muito-mas-nao-ouve-merece.html
Quer opinar? Se omitir? Me xingar? Sinta-se a vontade, mas saiba que quererei meu direito de resposta!
domingo, 8 de janeiro de 2012
A Bola de Diamante
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
Contos do Amor I
Certa vez um homem cansado de ver tanta maldade na região onde vivia, decidiu fazer uma peregrinação ao santuário do Deus de sua crença para pedir-lhe que mudasse aquela situação.
Ao entardecer, já cansado de tanto caminhar, parou debaixo de uma árvore e ali ajeitou o local para passar a noite.
Quando já estava pronto para dormir, ouviu uma voz, vindo do nada que lhe dizia:
- Homem, como te chamas?
Ele, muito assustado, automaticamente respondeu:
- Eu me chamo Amor.
- De onde tu vens?
E Amor, muito triste, respondeu-lhe:
- Venho de uma terra desolada, onde só existe maldade. A paz e a esperança a muito findou.
- Para onde estás indo com toda essa tristeza?
- Vou para o santuário do Deus dos meus ancestrais, para pedir-lhe que interceda na minha região, fazendo com que o bem volte a reinar.
A voz cessou por um instante e depois voltou a dizer:
- Não precisas ir tão longe para falar com o teu Deus. Eu sou Aquele que procuras. Mas só posso conceder-lhe o desejo se pedires com muita fé.
E Amor, pensou, entrou em oração e decidiu fazer o pedido:
- Quero que me transformes em uma pedra e me coloques na boca daquele vulcão.
E O Deus, já revelado, confuso, disse:
- Pensei que fosses pedir-me para restabelecer o bem na tua região. Por que me pedes isso?
- Eu fiz como me disseste. Pedi com fé. Então cumpra a sua promessa.
E assim foi feito. O Deus o transformou em uma pedra e o colocou na boca do vulcão.
Logo, o vulcão entrou em erupção e, na primeira explosão, espatifou Amor em milhões de pedaços que se espalharam por toda a terra.
Assim, em todos os lugares, passou a existir um pedaço de Amor e a terra voltou a ter esperança.
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
A Vida como Ela É...
Todas as nossas historias são reais.....
Eu invejo a burrice, porque e eterna - Nelson Rodrigues
Karla, petropolitana, 39 anos, casada ha 13 anos com Ricardo um empresario bem sucedido no ramo de combustível, dedica seu tempo para cuidar dos filhos e da sua aparência, na esperança de manter seu casamento para o resto da vida.
Karla acredita que e referencia de beleza e, por isso, vive a dar conselhos as amigas, dos tipos que chique e a mulher que tem pele clara ou mulher que pesa 50 kg, mesmo que tenha 1.90m de altura e não seja modelo ou mulher que não come doce em hipótese alguma na vida, pois senão poderá perder seu homem para qualquer magrinha que frequenta as orlas cariocas.
Qualquer indivíduo é mais importante do que a Via Láctea - Nelson Rodrigues
A rotina de Karla se resume em correr na Lagoa Rodrigo de Freitas e em comer e falar abobrinhas com as amigas. Uma vez por semana ela se encontra com as amigas para os chá das cinco. Nos encontros, elas se limitam a debater sobre as calorias do chuchu, da acelga e da rúcula Debatem se a coca-cola zero engorda mesmo, mas de qualquer forma preferem não arriscar a ingerir um liquido que tem cor engordativa, também debatem sobre outras coisas importantes do tipo quem perdeu mais calorias na aula de running do professor Rodrigao e por ai vai. Os temas são os mais variados possíveis, dependendo do que ocorreu na agenda das amigas, mas sempre dando maior importância para o assunto queima e ingestão de calorias durante a semana.
Outro dia, em seu posto de gasolina, Karla conheceu Felícia, vaidosa, elegante, descontraída e um pouco acima do peso, mas feliz, como reza seu nome. Filha de fazendeiros, criada em uma pequena cidade no interior do Rio de Janeiro. Felícia dedicara a sua vida a veterinária e acabara de abrir seu consultório perto do posto de gasolina de Karla. Em poucos minutos de conversa, a pobre menina foi ateada na caldeira de vapor de Karla, só pelo fato de estar gorda, para os seus parâmetros, claro. Karla não quis saber da experiencia de vida da moca e se restringiu apenas a um tema - a gordura localizada de Felícia Felícia foi aconselhada por Karla a não comer em hipótese alguma, quer dizer, poderia esta comer apenas frutas e legumes no almoço, nada de carne, nem branca. Alem disso, Karla comentou com a moçoila, que se recusava a jantar fora com o marido Ricardo e, que ha mais de 10 anos não comiam uma pizza juntos. Orgulhosa, Karla falou de boca cheia (quer dizer vazia) que na noite anterior tinha ido a um casamento na sua cidade e que ela era a mais bonita de todas as mulheres da festa, enfatizando, que deu um banho nas meninas obesas de 17 anos. Voltando-se a Felícia, Karla lembrou-se de mais um conselho importante: De nunca se entregar ao prazer da gula. Sugeriu a Felícia a não frequentar festas de aniversários, a não beber refrigerantes, nem comer bolo ou cachorro quente, nem tão-pouco experimentar doce, nem que fosse um bem-casado, pois cinco minutos de chocolate na boca são cinco anos de malhação para tira-lo da bunda.
Só o cinismo redime um casamento.
É preciso muito cinismo para que um casal chegue às bodas de prata - Nelson Rodrigues
Karla mandou Felícia correr como se fosse uma gazela feliz no parque, tipo Forrest Gump e, finalmente o ultimo conselho veio como um golpe de enxada nos seios de silicone da vitima: Karla olhou bem dentro dos olhos de Felícia e foi bem clara ao manda-la abrir os olhos, pois naquelas circunstancias, com as banhas sobrando pela lateral da calca jeans, logo a gorducha ficaria infeliz, pois estava prestes a perder o noivo.
Só o inimigo não trai nunca - Nelson Rodrigues
Inundada de tristes emoções, chorando sentada no meio fio e com a auto-estima dentro do bueiro do seu lado direito, Felícia quis dar uma reviravolta na sua vida e, então, emagreceu e emagreceu. Acentuou as curvas do seu corpo bem feito, permanecendo com suas pernas roliças e cintura fina, tornando-se assim a desinibida do bairro. Ficou fininha, porem saudável, esbanjando alegria e comendo de tudo um pouco, como frutas, legumes, carnes e não se privou do seu maior prazer, o chocolate. Ela continuou feliz tao feliz, que Ricardo, marido de Karla se aproximou de Felícia Sempre enviava flores e cartas românticas para a moca. Felícia seguiu direitinho os conselhos de Karla, só que com uma dose de felicidade, tanto que Ricardo se apaixonou por ela.
As grandes convivências estão a um milímetro do tédio - Nelson Rodrigues

