sexta-feira, 25 de julho de 2014

VENHA VER O PÔR-DO-SOL


Ela subiu sem pressa a tortuosa ladeira. À medida que avançava, as casas iam rareando, modestas casas espalhadas sem simetria e ilhadas em terrenos baldios. No meio da rua sem calçamento, coberta aqui e ali por um mato rasteiro, algumas crianças brincavam de roda. A débil cantiga infantil era a única nota viva na quietude da tarde.
Ele a esperava, encostado a uma árvore. Esguio e magro, metido num largo blusão azul-marinho, cabelos crescidos e desalinhados, tinha um jeito jovial de estudante.
- Minha querida Raquel.
Ela encarou-o, séria. E olhou para os próprios sapatos.
- Veja que lama. Só mesmo você inventaria um encontro num lugar destes. Que idéia, Ricardo, que idéia! Tive que descer do táxi lá longe, jamais ele chegaria aqui em cima.
Ele riu entre malicioso e ingênuo.
- Jamais? Pensei que viesse vestida esportivamente e agora me aparece nessa elegância! Quando você andava comigo, usava uns sapatões de sete léguas, lembra?
Foi para me dizer isso que você me fez subir até aqui? – perguntou ela, guardando as luvas na bolsa. Tirou um cigarro. - Hein?!
Ah, Raquel... - e ele tomou-a pelo braço. Você está uma coisa de linda. E fuma agora uns cigarrinhos pilantras, azul e dourado...
Juro que eu tinha que ver ainda uma vez toda essa beleza, sentir esse perfume. Então? Fiz mal?
Podia ter escolhido um outro lugar, não? -Abrandara a voz. - E que é isso aí? Um cemitério?
Ele voltou-se para o velho muro arruinado. Indicou com o olhar o portão de ferro, carcomido pela ferrugem.
- Cemitério abandonado, meu anjo. Vivos e mortos, desertaram todos. Nem os fantasmas sobraram, olha como as criancinhas brincam sem medo acrescentou apontando as crianças na sua ciranda.
Ela tragou lentamente. Soprou a fumaça na cara do companheiro.
- Ricardo e suas idéias. E agora? Qual o programa?
Brandamente ele a tomou pela cintura.
- Conheço bem tudo isso, minha gente está, enterrada aí. Vamos entrar um instante e te mostrarei o pôr-do-sol mais lindo do mundo.
Ela encarou-o um instante. Envergou a cabeça para trás numa risada.
- Ver o pôr-do-sol!... Ali, meu Deus... Fabuloso, fabuloso!... Me implora um último encontro, me atormenta dias seguidos, me faz vir de longe para esta buraqueira, só mais uma vez, só mais uma! E para quê? Para ver o pôr-do-sol num cemitério...
Ele riu também, afetando encabulamento como um menino pilhado em falta.
- Raquel, minha querida, não faça assim comigo. Você sabe que eu gostaria era de te levar ao meu apartamento, mas fiquei mais pobre ainda, como se isso fosse possível. Moro agora numa pensão horrenda, a dona é uma Medusa que vive espiando pelo buraco da fechadura...
- E você acha que eu iria?
- Não se zangue, sei que não iria, você está sendo fidelíssima.
Então pensei, se pudéssemos conversar um pouco numa rua afastada... - disse ele, aproximando-se mais. Acariciou-lhe o braço com as pontas dos dedos. Ficou sério. E aos poucos, inúmeras rugazinhas foram-se formando em redor dos seus olhos ligeiramente apertados. Os leques de rugas se aprofundaram numa expressão astuta. Não era nesse instante tão jovem como aparentava. Mas logo sorriu e a rede de rugas desapareceu sem deixar vestígio. Voltou-lhe novamente o ar inexperiente e meio desatento. - Você fez bem em vir.
- Quer dizer que o programa... E não podíamos tomar alguma coisa num bar?
- Estou sem dinheiro, meu anjo, vê se entende.
- Mas eu pago.
- Com o dinheiro dele? Prefiro beber formicida. Escolhi este passeio porque é de graça e muito decente, não pode haver um passeio mais decente, não concorda comigo? Até romântico.
Ela olhou em redor. Puxou o braço que ele apertava.
- Foi um risco enorme, Ricardo. Ele é ciumentíssimo. Está farto de saber que tive meus casos. Se nos pilha juntos, então sim, quero só ver se alguma das suas fabulosas idéias vai me consertar a vida.
- Mas me lembrei deste lugar justamente porque não quero que você se arrisque, meu anjo. Não tem lugar mais discreto do que um cemitério abandonado, veja, completamente abandonado – prosseguiu ele, abrindo o portão. Os velhos gonzos gemeram. - Jamais seu amigo ou um amigo do seu amigo saberá que estivemos aqui.
- É um risco enorme, já disse. Não insista nessas brincadeiras, por favor. E se vem um enterro? Não suporto enterros.
Mas enterro de quem? Raquel, Raquel, quantas vezes preciso repetir a mesma coisa?! Há séculos ninguém mais é enterrado aqui, acho que nem os ossos sobraram, que bobagem. Vem comigo, pode me dar o braço, não tenha medo.
O mato rasteiro dominava tudo. E não satisfeito de ter-se alastrado furioso pelos canteiros, subira pelas sepulturas, infiltrara-se ávido pelos rachões dos mármores, invadira as alamedas de pedregulhos esverdinhados, como se quisesse com sua violenta força de vida cobrir para sempre os últimos vestígios da morte. Foram andando pela longa alameda banhada de sol. Os passos de ambos ressoavam sonoros como uma estranha música feita do som das folhas secas trituradas sobre os pedregulhos. Amuada mas obediente, ela se deixava conduzir como uma criança. As vezes mostrava certa curiosidade por uma ou outra sepultura com os pálidos, medalhões de retratos esmaltados.
- É imenso, hein? E tão miserável, nunca vi um cemitério mais miserável, que deprimente - exclamou ela, atirando a ponta do cigarro na direção de um anjinho de cabeça decepada. - Vamos embora, Ricardo, chega.
- Ali, Raquel, olha um pouco para esta tarde! Deprimente por quê?
Não sei onde foi que eu li, a beleza não está nem na luz da manhã nem na sombra da noite, está no crepúsculo, nesse meio-tom, nessa ambigüidade. Estou-lhe dando um crepúsculo numa bandeja, e você se queixa.
- Não gosto de cemitério, já disse. E ainda mais cemitério pobre.
Delicadamente ele beijou-lhe a mão.
- Você prometeu dar um fim de tarde a este seu escravo.
- É, mas fiz mal. Pode ser muito engraçado, mas não quero me arriscar mais.
- Ele é tão rico assim?
- Riquíssimo. Vai me levar agora numa viagem fabulosa até o
Oriente. ouviu falar no Oriente? Vamos até o Oriente, meu caro...
Ele apanhou um pedregulho e fechou-o na mão. A pequenina rede de rugas voltou a se estender em redor dos seus olhos. A fisionomia, tão aberta e lisa, repentinamente escureceu, envelhecida. Mas logo o sorriso reapareceu e as rugazinhas sumiram.
- Eu também te levei um dia para passear de barco, lembra?
Recostando a cabeça no ombro do homem, ela retardou o passo.
- Sabe, Ricardo, acho que você é mesmo meio tantã... Mas apesar de tudo, tenho às vezes saudade daquele tempo. Que ano aquele! Quando penso, não entendo como agüentei tanto, imagine, um ano!
- É que você tinha lido A Dama das Camélias, ficou assim toda frágil, toda sentimental. E agora? Que romance você está lendo agora?
- Nenhum - respondeu ela, franzindo os lábios. Deteve-se para ler a inscrição de uma laje despedaçada: minha querida esposa, eternas saudades - leu em voz baixa. - Pois sim. Durou pouco essa eternidade.
Ele atirou o pedregulho num canteiro ressequido.
- Mas é esse abandono na morte que faz o encanto disto. Não se encontra mais a menor intervenção dos vivos, a estúpida intervenção dos vivos. Veja - disse apontando uma sepultura fendida, a erva daninha brotando insólita de dentro da fenda -, o musgo já cobriu o nome na pedra. Por cima do musgo, ainda virão as raízes, depois as folhas... Esta a morte perfeita, nem lembrança, nem saudade, nem o nome sequer. Nem isso.
Ela aconchegou-se mais a ele. Bocejou.
- Está bem, mas agora vamos embora que já me diverti muito, faz tempo que não me divirto tanto, só mesmo um cara como você podia me fazer divertir assim. - Deu-lhe um rápido beijo na face.
-Chega, Ricardo, quero ir embora.
- Mais alguns passos...
- Mas este cemitério não acaba mais, já andamos quilômetros! -
Olhou para trás. - Nunca andei tanto, Ricardo, vou ficar exausta.
- A boa vida te deixou preguiçosa? Que feio - lamentou ele, impelindo-a para frente. - Dobrando esta alameda, fica o jazigo da minha gente, é de que se vê o pôr-do-sol. Sabe, Raquel, andei muitas vezes por aqui de mãos dadas com minha prima.
Tínhamos então doze anos. Todos os domingos minha mãe vinha trazer flores e arrumar nossa capelinha onde já estava enterrado meu pai.
Eu e minha priminha vínhamos com ela e ficávamos por aí, de mãos dadas, fazendo tantos planos. Agora as duas estão mortas.
- Sua prima também?
Também. Morreu quando completou quinze anos. Não era propriamente bonita, mas tinha uns olhos... Eram assim verdes como os seus, parecidos com os seus. Extraordinário, Raquel, extraordinário como vocês duas... Penso agora que toda a beleza ela residia apenas nos olhos, assim meio oblíquos, como os seus.
Vocês se amaram?
Ela me amou. Foi a única criatura que... Fez um gesto. - Enfim, não tem importância.
Raquel tirou-lhe o cigarro, tragou e depois devolveu-o.
- Eu gostei de você, Ricardo.

-E eu te amei. E te amo ainda. Percebe agora a diferença?
Um - pássaro rompeu cipreste e soltou um grito. Ela estremeceu.
- Esfriou, não? Vamos embora.
- Já chegamos, meu anjo. Aqui estão meus mortos.
Pararam diante de uma capelinha coberta: de alto a baixo por uma trepadeira selvagem, que a envolvia num furioso abraço de cipós e folhas. A estreita porta rangeu quando ele a abriu de par em par.
A luz invadiu um cubículo de paredes enegrecidas, cheias de estrias de antigas goteiras. No centro do cubículo, um altar meio desmantelado, coberto por uma toalha que adquirira a cor do tempo.
Dois vasos de desbotada opalina ladeavam um tosco crucifixo de madeira. Entre os braços da cruz, uma aranha tecera dois triângulos de teias já rompidas, pendendo como farrapos de um manto que alguém colocara sobre os ombros do Cristo. Na parede lateral, à direita da porta, uma portinhola de ferro dando acesso para uma escada de pedra, descendo em caracol para a catacumba.
Ela entrou na ponta dos pés, evitando roçar mesmo de leve naqueles restos da capelinha.
Que triste que é isto, Ricardo. Nunca mais você esteve aqui?
Ele tocou na face da imagem recoberta de poeira. Sorriu, melancólico.
- Sei que você gostaria de encontrar tudo limpinho, flores nos vasos, velas, sinais da minha dedicação, certo? Mas já disse que o que mais amo neste cemitério é precisamente este abandono, esta solidão.
As pontes com o outro mundo foram cortadas e aqui a morte se isolou total. Absoluta.
Ela adiantou-se e espiou através das enferrujadas barras de ferro da portinhola. Na semiobscuridade do subsolo, os gavetões se estendiam ao longo das quatro paredes que formavam um estreito retângulo cinzento.
- E lá embaixo?
- Pois lá estão as gavetas. E, nas gavetas, minhas raízes. Pó, meu anjo, pó - murmurou ele. Abriu a portinhola e desceu a escada.
Aproximou-se de uma gaveta no centro da parede, segurando firme na alça de bronze, como se fosse puxá-la. - A cômoda de pedra. Não é grandiosa?
Detendo-se no topo da escada, ela inclinou-se mais para ver melhor.
- Todas essas gavetas estão cheias?
- Cheias?... Só as que têm o retrato e a inscrição, está vendo?
Nesta está o retrato da minha mãe, aqui ficou minha mãe - prosseguiu ele, tocando com as pontas dos dedos num medalhão esmaltado embutido no centro da gaveta.
Ela cruzou os braços. Falou baixinho, um ligeiro tremor na voz.
- Vamos, Ricardo, vamos.
- Você está com medo.
- Claro que não, estou é com frio. Suba e vamos embora, estou com frio!
Ele não respondeu. Adiantara-se até um dos gavetões na parede oposta e acendeu um fósforo. Inclinou-se para o medalhão frouxamente iluminado.
- A priminha Maria Emília. Lembro-me até do dia em que tirou esse retrato, duas semanas antes de morrer... Prendeu os cabelos com uma fita azul e veio se exibir, estou bonita? Estou bonita?... -
Falava agora consigo mesmo, doce e gravemente. - Não é que fosse bonita, mas os olhos... Venha ver, Raquel, é impressionante como tinha olhos iguais aos seus.
Ela desceu a escada, encolhendo-se para não esbarrar em nada.
- Que frio faz aqui. E que escuro, não estou enxergando!
Acendendo outro fósforo, ele ofereceu-o à companheira.
- Pegue, para ver muito bem... - Afastou-se para o lado. -
Repare nos olhos.
Mas está tão desbotado, mal se vê que é uma moça... - Antes da chama se apagar, aproximou-a da inscrição feita na pedra. Leu em voz alta, lentamente. - Maria Emília, nascida em vinte de maio de mil e oitocentos e falecida... - Deixou cair o palito e ficou um instante imóvel. - Mas esta não podia ser sua namorada, morreu há mais de cem anos! Seu menti...
Um baque metálico decepou-lhe a palavra pelo meio. Olhou em redor.
A peça estava deserta. Voltou o olhar para a escada. No topo, Ricardo a observava por detrás da portinhola fechada. Tinha seu sorriso – meio inocente, meio malicioso.
- Isto nunca foi o jazigo da sua família, seu mentiroso!
Brincadeira mais cretina! - exclamou ela, subindo rapidamente a escada. - Não tem graça nenhuma, ouviu?
Ele esperou que ela chegasse quase a tocar o trinco da portinhola de ferro. Então deu uma volta à chave, arrancou-a da fechadura e saltou para trás.
Ricardo, abre isto imediatamente! Vamos, imediatamente! - ordenou, torcendo o trinco. - Detesto este tipo de brincadeira, você sabe disso. Seu idiota! É no que seguir a cabeça de um idiota desses. Brincadeira mais estúpida!
- Uma réstia de sol vai entrar pela frincha da porta tem uma frincha na porta. Depois vai se afastando, devagarinho, bem devagarinho. Você terá o pôr-do-sol mais belo do mundo.
Ela sacudia a portinhola.
- Ricardo, chega, disse! Chega! Abre imediatamente, imediatamente! - Sacudiu a portinhola com mais força ainda, agarrou-se a ela, dependurando-se por entre as grades. Ficou ofegante, os olhos cheios de lágrimas. Ensaiou um sorriso. - Ouça, meu bem, foi engraçadíssimo, mas agora preciso ir mesmo, vamos, abra...
Ele não sorria. Estava sério, os olhos diminuídos. Em redor deles, reapareceram as rugazinhas abertas em leque.
Boa noite, Raquel.
Chega, Ricardo! Você vai me pagar!... - gritou ela, estendendo os braços por entre as grades, tentando agarrá-lo. - Cretino! Me dá a chave desta porcaria, vamos! - exigiu, examinando a fechadura nova em folha. -Examinou em seguida as grades cobertas por uma crosta de ferrugem. Imobilizou-se. Foi erguendo o olhar até a chave que ele balançava pela argola, como um pêndulo. Encarou-o, apertando contra a grade a face sem cor. Esbugalhou os olhos num espasmo e amoleceu o corpo. Foi escorregando. -Não, não...
Voltado ainda para ela, ele chegara até a porta e abriu os braços. Foi puxando, as duas folhas escancaradas.
- Boa noite, meu anjo.
Os lábios dela se pregavam um ao outro, como se, entre eles houvesse cola. Os olhos rodavam pesadamente numa expressão embrutecida.
- Não...
Guardando a chave no bolso, ele retomou o caminho percorrido.: No breve silêncio, o som dos pedregulhos se entrechocando úmidos sob seus sapatos. E, de repente, o grito medonho, inumano:
- NÃO!
Durante algum tempo ele ainda ouviu os gritos que se multiplicaram, semelhantes aos de, um animal sendo, estraçalhado.
Depois, os uivos foram ficando mais remotos, abafados como se viessem das profundezas da terra. Assim que atingiu o portão do cemitério, ele lançou ao poente um olhar mortiço. Ficou atento.
Nenhum ouvido humano escutaria agora, qualquer chamado. –Acendeu um cigarro e foi descendo a ladeira. Crianças ao longe brincavam de roda.

Sobre 7 Ondas Verdes Espumantes

O título desta postagem (e há quanto tempo que não postava...) peguei emprestado ao documentário sobre a vida e obra e a obra de vida de Caio Fernando Abreu [ou simplesmente Caio F.].
Não minto: por minha admiração (amor?) a Caio F, eu criei uma expectativa gigantesca sobre o filme; eu esperava chorar, sofrer, rir. Ter uma cartase profunda, como quando leio seus textos.

Caio F. (Foto Reprodução/A Razão)


Mas o filme é suave, delicado; tanto quanto toda a doçura que se pode encontrar nos escritos de Caio. Ali vê-se reunidos textos 'literários' e textos íntimos, suas cartas enviadas a amigos. Contudo, estou longe de estar decepcionado.
Estou EXTASIADO! O filme seduziu-me, acalentou-me. E, se eu ainda quisera chorar, no filme também houve momento em que esta minha "exigência" foi satisfeita.

Caio fala do amor, e do que antecede/acompanha/sucede o amor: amor-morte, amor-saudade, amor-solidão, amor-guerra; mas ainda assim, amor.
Fala sobre a fome que nos devora por dentro -assim- aos poucos.
E aqueles que conhecem essa fome saberão entender a que me refiro.

Podia ser só amizade, paixão, carinho, admiração, respeito, ternura, tesão.
Com tantos sentimentos arrumados cuidadosamente na prateleira de cima, tinha de ser justo amor, meu Deus?
Não pretendo alongar o texto em uma frialdade de análise à lá "le critique de cinéma"; não.
Nem quero engessar os significados que este filme pode ter, os sentimentos que ele pode tocar/despertar.
Menos ainda pretendo encher vossas mentes com digressões "espoileréticas" e antecipar trechos do mesmo
Recomendo que o assistam e, à guisa de estímulo, vos cedo o trailer.





Não, meu bem, não adianta bancar o distante: lá vem o amor nos dilacerar de novo...


*frankj costa*

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Baseado em fatos Reais

Hoje, fugindo da temática principal deste blog, postarei um texto encontrado em minilua.com
Mas que mui  bem poderia ser roteiro de algum filme de horror/terror...

Avenida Ocean, 112

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A casa número 112 da Avenida Ocean era um moradia como outra qualquer, até que no dia 13 de Novembro de 1974 um dos crimes mais hediondos da história ocorreu nesse local, transformando-o em um sinônimo de mistérios e assombrações.
Em 1965 a família Defoe comprou uma bela e grande casa na Avenida Ocean, onde tinham a esperança de viverem bem e confortavelmente por muito tempo, infelizmente a alegria dessa família não durou, pois mal sabiam que um assassino morava junto com eles.
Foto dos cincos irmãos
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Ronald "Butch" Júnior era o mais velho de cinco irmãos e também o mais problemático, pois tinha envolvimento com drogas e às vezes cometia pequenos furtos para sustentar seu vicio. Por esse mau comportamento, as brigas entre ele e seu pai (Sr. Ronald DeFeo) eram comuns.
Contudo, no dia 13 de Novembro de 74, Ronald, por um motivo desconhecido, resolveu matar todosos membros de sua família. Ele pegou uma carabina e atirou duas vezes contra seus pais. Logo em seguida foi ao quarto de cada um dos seus irmãos e disparou contra eles também. Para finalizar assassinou as outras duas irmãs. Tudo isso foi feito enquanto todos dormiam e por algum motivo estranho ninguém acordou com os disparos. Outro fato interessante é que todos forram colocados de bruços antes de serem atingidos.
Ronald e seu pai
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Sabendo que acabaria na cadeia, Ronald pediu ajuda a seus amigos para que mentissem em seu favor de modo a criar um álibi. Mas a arma do crime e outras coisas que o culpavam pelo ato foram encontradas e ele acabou indo a julgamento, onde confessou os crimes"Começou tudo muito rápido. Assim que comecei, não consegui parar. Foi tudo muito rápido".
Um dos corpos sendo retirado da casa
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Ronald ainda declarou: “Eu não matei a minha família, eles iam me matar”. O que eu fiz foi em autodefesa e não há nada de errado com isso. Quando tenho uma arma na mão, não há duvida nenhuma sobre quem eu sou. Eu sou Deus.
Depois de matar seus dois irmãos, duas irmãs e seus pais, cada um com dois tiros a queima roupa enquanto dormiam, Ronald "Butch" Júnior foi a julgamento, onde acabou confessando seus crimese alegando autodefesa, porém mesmo assim acabou sendo condenado a mais de 100 anos de prisão.
Ronald sendo preso
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Mesmo com o crime resolvido, algumas questões ainda ficaram em aberto, pois suspeita-se que a irmã mais velha de Ronald, Dawn, tenha ajudado a matar seus familiares, para que os dois ficassem com o dinheiro da família, pois segundo relatos os dois praticavam incesto. Essa suspeita surgiu quando foi encontrado um rastro de pólvora nas roupas dela. Isso faz com que o crime tenha sido planejado. Nesse caso é um mistério seu irmão tê-la matado. Acredita-se que o assassinado de Dawn fora motivado pelo egoísmo de seu irmão mais velho, pois assim ele ficaria com todo o dinheiro e ainda se livraria de uma testemunha.
Uma questão relevante é o porquê que seus irmãos não fugiram, após os primeiros disparos, que vitimaram seus pais. Existem várias teorias sobre isso, no entanto a mais provável é que as crianças tenham sido forçadas a ficarem deitadas, assim Ronald conseguiu matar todos em suas camas, como se eles estivessem dormindo na hora que morreram.
A arma do crime
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Um mistério muito grande envolvendo esse crime é que os vizinhos não foram capazes de ouvir nenhum disparo, algo que é estranho, pois a carabina que foi utilizada era extremamente barulhenta e a casa dos vizinhos era próxima. A possibilidade de algum tipo silenciador ter sido usado também foi descartada pelas investigações. Essa é uma grande questão em aberto, pois mais de 10 tiros foram disparados e os vizinhos disseram no depoimento estarem em casa, dessa maneira eles deveriam ter ouvido algum dos tiros, mas por alguma razão inexplicável eles não ouviram…
Parece que a casa número 112 da Avenida Ocean não era um local dos mais acolhedores, porém depois dos crimes parece que a residência se tornou ainda pior. 
Apesar de um dos crimes mais misteriosos e sinistros da história ter sido cometido na casa 112 da Avenida Ocean, ela foi vendida logo após o acontecido, em dezembro de 1975, para a família Lutz, que era composta por George e Kathleen, além de seus três filhos.
Os Lutz diziam não estarem incomodados com o que ocorreu na casa, mas logo que começaram a viver lá levaram um padre para benzer a residência. Durante a benção, o padre afirma ter ouvido uma voz, que dizia para irem embora, porém ele não relatou isso a família inicialmente, apenas recomendou que eles não usassem o quarto onde o fenômeno havia ocorrido.
Mesmo com a benção, a família não conseguiu viver e abandonou a residência apenas 28 dias após terem entrado nela, pois muitas coisas estranhas atormentavam a todos, como gritos, som de tiros e aparições de fantasmas.
Sem uma família vivendo no local, vários caça fantasmas iniciaram suas investigações no local e diversos fenômenos sobrenaturais foram documentados na casa. O acontecimento mais famoso foi registrado em foto, onde se pode ver claramente uma criança espiando o fotógrafo de um dos quartos:
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Muitas pessoas acreditam que a criança da imagem seja um dos irmãos mortos da família Defoe que ainda vaga pelo local.
Após tudo isso, a casa ficou muito famosa e diversas pessoas iam até lá para visita-la. Dessa maneira ela teve que passar por reformas para perder a aparência que todos conheciam. Hoje a fachada está bem diferente do que era na época do crime:
Antes e depois
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Todos os mistérios que envolvem esse crime jamais serão respondidos, só sabe-se que algo realmente bizarro aconteceu nessa casa estranha e isso a deixou ainda mais esquisita do que era, tornando ela um dos lugares mais misteriosos do mundo.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Per Populum ad Popula

Abaixo uma compilação com 100 obras, entre autores brasileiros e estrangeiros, escolhidas entre os 10 mil títulos disponíveis no Portal Domínio Público. A lista, traz desde livros seminais, formadores da cultural ocidental, como “Arte Poética”, de Aristóteles, até o célebre “Ulisses”, de James Joyce, considerado um dos livros mais influentes do século 20, além de clássicos brasileiros e portugueses. Todo o acervo do portal DP é composto por obras em domínio público ou que tiveram seus direitos de divulgação cedidos pelos detentores legais.
No Brasil, os direitos autorais duram setenta anos contados de 1° de janeiro do ano subsequente à morte do autor. 
Clique no nome da obra para fazer o download do arquivo no formato .pdf (sugiro o Sumatra, que é pequeno, leve e rápido para ler arquivos .pdf e que também lê .cbz; .cbr e .epub)

A Divina Comédia 
— Dante Alighieri
Ulysses 
— James Joyce
A Metamorfose 
— Franz Kafka
Don Quixote. Vol. 1 
— Miguel de Cervantes Saavedra
Don Quixote. Vol. 2 
— Miguel de Cervantes Saavedra
Cândido 
— Voltaire
Uma Estação no Inferno 
— Arthur Rimbaud
Iluminuras 
—Arthur Rimbaud
A Esfinge sem Segredo 
— Oscar Wilde
Viagens de Gulliver 
— Jonathan Swift
Poemas 
— Safo
O Elixir da Longa Vida 
— Honoré de Balzac
Arte Poética 
— Aristóteles
Via—Láctea 
— Olavo Bilac
As Viagens 
— Olavo Bilac
Contos para Velhos 
— Olavo Bilac
A Mensageira das Violetas 
— Florbela Espanca
Poemas Selecionados 
— Florbela Espanca
Livro de Mágoas 
— Florbela Espanca
Charneca em Flor 
— Florbela Espanca
Livro de Sóror Saudade 
— Florbela Espanca
O Livro D’ele 
— Florbela Espanca
O Guardador de Rebanhos 
— Fernando Pessoa
Poemas de Fernando Pessoa 
— Fernando Pessoa
Poemas de Álvaro de Campos 
— Fernando Pessoa
Poemas de Ricardo Reis 
— Fernando Pessoa
Primeiro Fausto 
— Fernando Pessoa
O Eu Profundo e os Outros Eus. 
— Fernando Pessoa
O Pastor Amoroso 
— Fernando Pessoa
A Cidade e as Serras 
— Eça de Queirós
Os Maias 
— Eça de Queirós
Contos 
—Eça de Queirós
A Ilustre Casa de Ramires 
— Eça de Queirós
A Relíquia 
— Eça de Queirós
O Crime do Padre Amaro 
— Eça de Queirós
Cartas D’Amor — O Efêmero Feminino 
— Eça de Queirós
Vozes d’África 
— Castro Alves
Os Escravos 
—  Castro Alves
O Navio Negreiro 
— Castro Alves
Espumas Flutuantes 
— Castro Alves
Eu e Outras Poesias 
— Augusto dos Anjos
Eterna Mágoa 
— Augusto dos Anjos
Os Sertões 
— Euclides da Cunha
Canção do Exílio 
— Antônio Gonçalves Dias
Dom Casmurro 
— Machado de Assis
Memórias Póstumas de Brás Cubas 
— Machado de Assis
Esaú e Jacó 
— Machado de Assis
Quincas Borba 
— Machado de Assis
Contos Fluminenses 
— Machado de Assis
O Alienista 
— Machado de Assis
As Academias de Sião 
— Machado de Assis
Memorial de Aires 
— Machado de Assis
Romeu e Julieta 
— William Shakespeare
A Comédia dos Erros 
— William Shakespeare
A Megera Domada 
— William Shakespeare
Macbeth 
— William Shakespeare
Hamlet 
— William Shakespeare
Otelo, O Mouro de Veneza 
— William Shakespeare
O Mercador de Veneza 
— William Shakespeare
Antônio e Cleópatra 
— William Shakespeare
Ricardo III 
— William Shakespeare
Os Lusíadas 
— Luís Vaz de Camões
Redondilhas 
— Luís Vaz de Camões
Canções e Elegias 
— Luís Vaz de Camões
A Carta 
— Pero Vaz de Caminha
Fausto 
— Johann Wolfgang von Goethe
Lira dos Vinte Anos 
— Álvares de Azevedo
Noite na Taverna 
— Álvares de Azevedo
Poemas Irônicos, Venenosos e Sarcásticos 
— Álvares de Azevedo
Obras Seletas 
— Rui Barbosa
A Volta ao Mundo em Oitenta Dias 
— Júlio Verne
Odisseia 
— Homero
Iliada 
— Homero
História da Literatura Brasileira 
— José Veríssimo Dias de Matos
Utopia 
— Thomas Morus
A Carne 
— Júlio Ribeiro
Édipo—Rei 
— Sófocles
A Alma Encantadora das Ruas 
— João do Rio
Memórias de um Sargento de Milícias 
— Manuel Antônio de Almeida
A Dama das Camélias 
— Alexandre Dumas Filho
Sonetos e Outros Poemas 
— Bocage
A Dança dos Ossos 
— Bernardo Guimarães
A Escrava Isaura 
— Bernardo Guimarães
A Orgia dos Duendes 
— Bernardo Guimarães
Seleção de Obras Poéticas 
— Gregório de Matos
Contos de Lima Barreto 
— Lima Barreto
O Homem que Sabia Javanês e Outros Contos 
— Lima Barreto
Triste Fim de Policarpo Quaresma 
— Lima Barreto
Diário Íntimo 
— Lima Barreto
O Livro de Cesário Verde 
— José Joaquim Cesário Verde
Brás, Bexiga e Barra Funda 
— Alcântara Machado
Schopenhauer 
— Thomas Mann
A Capital Federal 
— Artur Azevedo
Antigonas 
— Sofócles
A Poesia Interminável 
—  Cruz e Sousa
Antologia 
— Antero de Quental
A Conquista 
— Coelho Neto
As Primaveras 
— Casimiro de Abreu
Carolina 
— Casimiro de Abreu
A Desobediência Civil 
— Henry David Thoreau
A Princesa de Babilônia 
— Voltaire

Para ler mais: Um Mundo de Letras

quinta-feira, 30 de maio de 2013

VALE A PENA

Você chora, grita, sente-se só; alguns se mutilam e outros até se matam.
Não julgue quando você vir alguém assim, afinal um você pode passar pelo mesmo, ou até passou. Tenho certeza que uma vez na vida você se sentiu incrivelmente sozinho, e isso doeu. Você teve uma saudade tão grande que fechou sua garganta, seu rosto ficou pálido, e a sua boca seca, pois nem vontade de sair do quarto você teve…
Você lembra o porquê de tudo isso? Saudades de um namorado que não existe, saudades de um amigo que se foi, ou decepções normais!?
- O importante é que você superou! - Não superou? Então vamos agora! Você nem precisa sair do seu quarto, apenas coloque uma musica que você goste, uma roupa como se você pra melhor festa da sua vida. Já? Se olhe no espelho. E olhe apenas pra dentro dos seus olhos. Depois vire um pouquinho e dance sozinho. Olha pro espelho e diga “foda-se!” ao mundo, ao submundo, ao extra-mundo, ao mundo que não existe, e ao mundo que você tenta fazer existir! Vamos criar um mundo novo juntos?

Ta, nesse mundo novo, todas as ruas tem árvores e as ruas são limpas; as casas são feitas de madeira, e os bancos são feitos com a própria madeira da árvore…
Lá existe um grande balanço onde você estará com quem você mais quer. E se essa pessoa não quer estar com você, imagine a mim: como seu amigo te dando carinho… Assim como você eu também sinto falta disso, vamos morar juntos? No nosso novo mundo!