quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Oracular

(Mozak)



A Luz desce.
A Luz detém-se no Limiar.

Desde aí, em profundidade com o Ser.
Fala, guia, dá à todas as sombras seu devido nome.

Para isso lembra: o toda matéria se acabará, deixa tua mente quieta, cala tua voz e ouve.
Só assim teu anseio de paz se tornará verdade.

É quando a Paz Final te receberá no silêncio infinito...



*Frankj Costa*

sábado, 20 de agosto de 2016

Na pequena caixa


Na minha pequena e velha caixa de lata, estava escondido um botão quebrado do meu casaquinho de infância.

Lembrando-me que o tempo é de dupla natureza - mesmo que ninguém atente - e então sou transportado para aquele momento embora eu permaneça aqui... como eu gostaria de ficar lá. 

Uma velha carta dobrada de baixo das pilhas de roupas no meu armário me leva para toda a glória escrita nela: lugares visitados e amados - o espaço não está consolidado. 

As velhas tábuas do assoalho da casa onde cresci me dão um vislumbre de como a vida era suposta ser - como sempre fazem as crianças em seus sonhos pueris - a vida é uma constante, apesar das mudanças. 

A fotografia desbotada de um feliz momento de um passado agora cada vez mais distante, percebo como lembranças são estranha: bonitas e tristes ao mesmo tempo - lembrando-me as contradições de querer governar nosso destino sempre. 

Em tal cativeiro de tempo, espaço, vida e destino, eu me laço em um feitiço mágico: Recordar. 

Que me liga a um contentamento para sempre de tudo o que é - me dizendo que nada mais importa, mas é.

Não importa o que. E então isto se torna tudo para mim. Todos os momentos, em todos os lugares, tudo se torna isto.
E eu percebo quem sou: Eu sou ele.













quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Maha Alauyama

    A madrugada estava alta. Mais alto ainda estava eu: duas garrafas de gin, uma de vinho; até a meia garrafa de malte escocês (esquecida por alguém no último réveillon) entrou na ciranda.

    Com minha última dose de malte - servida chorosa e abundantemente - sentei à janela com um cigarro acesso e a mente fervilhando; pensamentos desconexos em recordações fragmentárias.
    Uma memória ignota que teima em recontar de si para si a própria história: editada, revista e revisada, a cada novo ocaso.

    O vento alisa meu rosto como tépidas mãos desprovidas de quaisquer anseios. Ao longe ouço o ribombar dum trovão; embora eu não houvesse visto o seu relâmpago... Pouco depois uma fina e gélida chuva começa a entrar pela janela, completando meu copo de malte, me deixando de corpo lavado, mente embotada; imersa em plena solidão.
    Apaga-se o encharcado cigarro, que esquecido pendia em minha mão. Do outro lado da rua, o vento traz-me uma canção...

“...
Now you say you’re sorry,
For bein’ so untrue
Well, you can cry me a river,
cry me a river
I cried a river over you
...

    E a música derruba minhas muralhas, abre a represa de minha’lma e vejo-me impotente, chorando sob a chuva fria, à janela de uma casa vazia e gélida. Pondo-me de pé, me debruço sobre o parapeito, meus olhos mergulhando no rio de luzes dos carros passantes na via expressa; metros abaixo.
    No armário do banheiro ainda resta um vidro de MAPEZAIDO (do tempo em que vivias comigo). Deito uns comprimidos dentro do copo, olho-os enquanto se desmancham no malte – agora completado com chuva e bourbon -, emprestando uma coloração banco-leitosa ao rubor da bebida e uma textura arenosa ao seu sabor.

    No horizonte vejo o sol surgindo por entre as nuvens; o céu vermelho-alaranjado, como a bebida em minhas mãos.
    A chuva arrefece e sinto o cheiro da manhã invadir a casa, me invadindo junto.
    Sinto as pálpebras pesando a cada gole dado em meu Bourbon. Some minha percepção de mim, assim como some o sol do horizonte no cerrar pétreo de meus olhos.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Amens Ignocens

No fogo de minha loucura, anseio por respostas que jamais virão. Olho para coisas que jamais se viram. Chamo por aqueles que jamais vieram. Convido aos que jamais verão. Encaro toscas faces refletidas de mim, num espelho partido que jamais consertarão. Ouço acordes de um Concerto sem os que o poderiam executar. Extenuo-me na estase de emoções que já não sinto mais. Então, deito-me sobre a relva orvalhada esperando o sono que não vem. Porque, deitado, Oneiros e comitiva simplesmente não me veem. Pois que este é o momento que partilho a taça com Platão e Sócrates; e sabendo-me não-sabedor de tudo, fecho-me.
 No fogo de minha loucura, anseio por respostas que jamais virão. Olho para coisas que jamais se viram. Chamo por aqueles que jamais vieram. Convido aos que jamais verão. Encaro toscas faces refletidas de mim, num espelho partido que jamais consertarão. Ouço acordes de um Concerto sem os que o poderiam executar. Extenuo-me na estase de emoções que já não sinto mais. Então, deito-me sobre a relva orvalhada esperando o sono que não vem. Porque, deitado, Oneiros e comitiva simplesmente não me veem. Pois que este é o momento que partilho a taça com Platão e Sócrates; e sabendo-me não-sabedor de tudo, fecho-me.
 No fogo de minha loucura, anseio por respostas que jamais virão. Olho para coisas que jamais se viram. Chamo por aqueles que jamais vieram. Convido aos que jamais verão. Encaro toscas faces refletidas de mim, num espelho partido que jamais consertarão. Ouço acordes de um Concerto sem os que o poderiam executar. Extenuo-me na estase de emoções que já não sinto mais. Então, deito-me sobre a relva orvalhada esperando o sono que não vem. Porque, deitado, Oneiros e comitiva simplesmente não me veem. Pois que este é o momento que partilho a taça com Platão e Sócrates; e sabendo-me não-sabedor de tudo, fecho-me.
No fogo de minha loucura, anseio por respostas que jamais virão. Olho para coisas que jamais se viram. Chamo por aqueles que jamais vieram. Convido aos que jamais verão. Encaro toscas faces refletidas de mim, num espelho partido que jamais consertarão. Ouço acordes de um Concerto sem os que o poderiam executar. Extenuo-me na estase de emoções que já não sinto mais. Então, deito-me sobre a relva orvalhada esperando o sono que não vem. Porque, deitado, Oneiros e comitiva simplesmente não me veem. Pois que este é o momento que partilho a taça com Platão e Sócrates; e sabendo-me não-sabedor de tudo, fecho-me.
No fogo de minha loucura, anseio por respostas que jamais virão. Olho para coisas que jamais se viram. Chamo por aqueles que jamais vieram. Convido aos que jamais verão. Encaro toscas faces refletidas de mim, num espelho partido que jamais consertarão. Ouço acordes de um Concerto sem os que o poderiam executar. Extenuo-me na estase de emoções que já não sinto mais. Então, deito-me sobre a relva orvalhada esperando o sono que não vem. Porque, deitado, Oneiros e comitiva simplesmente não me veem. Pois que este é o momento que partilho a taça com Platão e Sócrates; e sabendo-me não-sabedor de tudo, fecho-me.

O Reino das Sombras

Molome

No profundo no Reino das Sombras, busca-se pela luz que nunca vem, a paz que jamais chega...
Pois no Reino das Sombras, tudo se revela no limiar do crepúsculo.

E, das profundezas abissais a Escuridão uníssona encara a Treva habitante de teu interior, a despeito de tua fuga...
No limiar do crepúsculo a Luz preenche os espaços da filosofia vazia da alma perdida em dúvidas nascidas das certezas falaciosas.

No Reino das Sombras a Luz irrompe. A tudo querendo iluminar, a tudo querendo devorar... Propagando a mentira que afirma ser a luz, a verdade... E o terror se instaura no Reino das Sombras...
Observa-se o passar do Tempo, como algo advindo de um passado longínquo, hermético; dividido entre a Luz e a Escuridão, entre o Agora e o Nunca. À espera do que jamais chegara a ser mais do que um sonho vão e tolo. Assim permanece-se... Assim jaz.

E assim prossegue a luz na sua estéril tentativa de vencer as trevas. Ignorando ser ela -a luz- filha desta mesma escuridão que tão ferrenhamente agora combate.
Com a luz invadindo o Reino das Sombras, mudanças tem início. E vida inconfessa começa a surgir onde antes apenas a esterilidade existia...

Mas mesmo esta luz incipiente é natimorta. Pois nada perdura no Reino das Sombras... A iridescência finda, o brilho esmaece, as convicções esmorecem. Sim... Ao incauto viajante fica o parvo alerta: quando estiver impressionado pela luz, lembre-se que ela partirá, e apenas a escuridão permanecerá. Esta é a real essência do Reino das Sombras.
No Reino das Sombras, as criaturas mais estranhas existem, vivendo no tênue limiar entre a Luz e Escuridão. Sem jamais conseguir ocultar a Treva... Que é sua verdadeira natureza, sua real substância!!

E os viventes do Reinos das Sombras seguem cegos e ignorantes do que sucede em seu derredor. Desconhecendo a horrenda batalha entre Treva e Luz que ocorre na periferia do seu parvo existir. Assim prosseguem, ignorantes de suas prisões.
Em sua suprema angústia, a Luz convulsiona; buscando resistir a ser devorada pela trevosidade circundante. Logrará - a Luz - passar incólume às investidas da Treva Eterna?

E, na contenda entre Luz e Treva, surge o Tédio. Deformando a Existência, consumindo a Essência.
Reduzindo tudo a Nada. Talvez a menos que isso...
E todos seguem em suas aflições, dilacerados em julgamentos vãos; a Luz corroendo a tudo, permanecendo ignorante de sua própria Escuridão. Em meio a tudo, ansiando pela autoextinção...

E, consumidos em suas incertezas, os viventes no Reino das Sombras enganam-se com o próximo cigarro, o trago seguinte; o gole dado com sofreguidão no Néctar do Esquecimento. Almejando reinventarem-se um sua busca angustiosa...
Mas a Luz irrompe novamente, rasgando a Treva e tudo quanto existe no Reino das Sombras sofre sua agressão. Tudo queima, todos ardem. E a Treva convulsiona.

A vida polula por todos os rincões do Reino das Sombras. Diminuta, mas nem por isso menos significante...
Formas de Treva e Escuridão, Vazio e Nulidade movem-se em meio a Luz. Entes de consciência embotada amontoam-se nas frestas e frisos. E por todo lado a Vida vareja e agoniza, arrancada de seu útero escuro.

A Luz rasga tudo. As cores desvelam-se em sua pálida profusão. Então a ilusão de Vida extrusa das Trevas; e os combalidos habitantes do Reino das Sombras, por uma primeira vez em milênios, ousam crer em Esperança. Esquecendo ser ela prisioneira de, Pandora e sua fatídica caixa: maldição de Deuses arcaicos, ciumentos e mesquinhos, que por húbrys, apartaram-se para outros rincões do Cosmo.

A Luz (e seu agudo punhal) rasgam as carnes daqueles que vivem em plena Escuridão do Reino das Sombras...
Corta fundo, revelando vísceras, ossos, músculos.
A dor lembrando-os ainda estarem vivos. E sempre, e mais uma vez, os corpos desfazem-se em um jorro líquido rubro, pastoso e agridoce; levando os viventes aos estertores... Ao hálito derradeiro, ao limite da existência.

E tudo fende, rompe, sangra e morre...

E novas formas brotam da Escuridão, repopulando o devastado Reino das Sombras...

Mas a Luz não rende-se. E volta a expandir, queimando e destruindo tudo a que toca. Rasgando o reconfortante véu da ilusão costumeira. Destecendo realidades pré-manufaturadas, desfazendo toda segura noção de certeza.
E tudo no Reino das Sombras geme, agoniza; buscando fugir da Luz para o conforto da Treva, terna, fria, macia, acolhedora. Como um cadáver que busca retornar ao obscuro ventre da Terra...

E um novo ciclo tem início, contendas de batalhas até a chegada do Não-Tempo do Fim de Todas as Coisas.

*frankj costa*

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Kaine & Lílliam


http://caim-thomas.deviantart.com/


Em um balcão de bar há um homem -solitário, de olhos baixos, bebendo seu whisk de forma intencionalmente lenta.
Ele observa as pessoas em sua volta, mas sem prestar atenção especificamente a coisa algum; sua mente um frenesi de números, porcentagens, algoritmos financeiros; e sua esposa - Marta.
Sempre a voz de Marta: queixando-se do "alto custo de vida", queixando-se de que o marido mesmo sendo sócio-proprietário de uma firma consagrada de contabilidade, não para de "chorar pobreza". Sempre aquela voz rouquenta dizendo: "Mas Cæsar, você NUNCA tem dinheiro p'ra nada! Até parece - se-lá - um daqueles sem-tetos que a gente vê no notíciário".
No começo, Cæsar ainda tentava explicar que fundos de investimento de longo prazo não eram para serem remexidos a cada vez que sua esposa quisesse um vestido Dior recém-lançado. E Marta se desesperava e dizia "o que direi para minhas ammigas? O que Cæsar?!".
E finalmente aconteceu: Marta envolveu-se com outro homem, alguma espécie de Barão do Petróleo do Oriente Médio, em menos de duas semanas ela entrou com uma ação de divórcio. E, para atormentar a vida de Cæsar, ela queria TUDO. E Cæsar conversava com seus advogados, negociando; enfim fazendo tudo o que fosse possível para que Marta não o levasse à bancarrota.

Então aquilo: aquele Congresso de Contabilidade, um mês em outro estado - sozinho, sem Marta para levá-lo à loucura com suas eternas lamuriações.

Cæsar estava absorto em seus pensamentos, em suas aflições, e quase não deu por conta de uma mulher que sentou-se a seu lado no balcão do bar do hotel e lhe falava alguma coisa.

-- Desculpe, mas você falava comigo? Perguntou Cæsar, enquanto tomava mais um gole de seu whisk e fazia uma careta.

-- Oh, bem, agora já não adianta - disse a mulher - eu estava dizendo que se você demorasse mais, seu malte se tornaria um soro com esse tanto de gelo que derretia no copo. Mas você não me ouviu e agora já descobriu da pior forma do que eu falava. E a mulher terminou sua frase com um sorriso encantador, enquanto virava levemente a cabeça de lado, olhando para Cæsar.

-- Bem, realmente agora é tarde para qualquer aviso.
Concordara Cæsar, enquanto olhava objetivamente para aquela mulher: ela não parecia ter mais que 35 anos, cabelos longos, negros, brilhantes de de aparencia sedosa, presos num coque no alto da cabeça, olhos incrivelmente penetrantes, verdes, parecendo duas jades incrustadas naquele rosto de traços fortes. Sobrancelhas finas, mas que não pareciam de forma alguma desenhadas à lápis ou mesmo à pinça. Orelhas pequenas, com brincos de jaspe vermelho-sange, um nariz afilado, uma testa alta com uma perfeita linha de cabelo. E a pele? Aquela alva pele de brilho tão suave; uma textura como de pura seda quando seu braço resvalou no dele.

Ela sorriu mais uma vez e virou-se para o rapaz do bar pedindo um Cheren Pin’on. Cæsar estranha a escolha mas sorri e resolve puxar conversa:

-- Moça, você não acha que um Cheren pode ser muito forte pra você?
-- Moço, você estava bebendo chá de whisk e vai implicar com meu Cheren? Retrucou ela, rindo em seguida quando percebeu que Cæsar havia ficado sem jeito com sua resposta.

-- Ok, babie, meu nome é Lílliam. Qual o seu?
-- Cê.. Cé... Cæsar (gagejou Cæsar, entre surpreso e divertido com a veemência daquela mulher).

-- Certo. Cæser, como o Imperador Romano? UAL! Um nome forte para um homem bonito. disse Lílliam com um sorriso úmido nos lábios carnudos de um vermelho rubi intenso.

Ele sorriu, sentindo-se mais confiante e pediu mais um whisk (agora com menos gelo) ao atendente de bar, Lílliam pegou seu copo de Cheren Pin'on e seguiram para uma mesa nos fundos do bar do Hotel Turkija-Inn

Conversaram animadamente e Cæsar ficou surpreso ao descobrir que Lílliam também era contadora e estava participando do mesmo congresso que ele, apenas hospedada em outro hotel a poucos quarteirões de distância.

-- Apesar de amanhã ser o último dia do Congresso, pretendo ficar aqui um pouco mais para visitar um amigo com quem não falo a vários anos. Dizia Lílliam

-- "Amigo"? Sei... Mas o pequeno ataque de ciúme de Cæsar foi abruptamente cortado quando, casualmente olhou na direção da porta do bar e viu Marta entrando acompanhada por um homem jovem (até mesmo mais jovem que o próprio Cæsar), alto, com uma pele lustrosa, de uma coloração marrom tanado; um cabelo luxuriante e impactantes olhos verdes; praticamente tão verdes quanto os de Lílliam.
Quando Cæsar ensaiou levantar-se teve seu braço agarrado por Lílliam que disse:

-- Então aquela é a tal Marta de quem você falava? Certo ela está aqui e está acompanhada por aquele jovenzinho; e você pensa em fazer o quê?? Levantar e ir lá fazer o quê?

-- Eu não sei. Mas eu me recuso a ficar aqui e deixar que ela me faça de imbecil desfilando com aquele garotão-de-praia; me fazendo passar atestado de corno!! Não! De jeito nenhum! Vou lá tirar satisfações e vai ser agora!

--"atestado de... corno"? repetiu Lílliam e explodiu numa gargalhada que deixou Cæsar atônito e sem saber o que dizer.
-- Querido, querido, QUE-RI-DO! Começou Lílliam: você está a CENTENAS de quilômetros da cidade de vocês. Quantos conhecidos você encontrou neste bar? Ou no Congresso desde que ele começou?

-- Nenhum, ninguém. Respondeu Cæsar, olhando para Lílliam como se ela estivesse falando de alguma coisa mágica. SIM! Acho que você tem razão garota! Não tem como ela me envergonhar aqui, porque não há aqui ninguém -fora você- que saiba que somos casados; ou mesmo que estamos nos divorciando.

-- Exatamente gatinho. Então você ir lá "tirar satisfação" só iria pegar mal pra você mesmo; e talvez você ainda levasse uma surra do garoto-dourado alí; você reparou no tamanho do braço dele?!

Cæsar considerou aquilo e resolveu não levantar mais da mesa; embora imediatamente uma dúvida lhe passou pela mente:

-- Mas... Então como eu sairei daqui? Nós estamos no fundo do bar, eles estão mais-ou-menos no meio; exatamente no caminho da saída. E se ela nos ver? ME ver quando estivermos saindo? E se ela me chamar? Ai meu deus! To me sentindo numa ratoeira!

-- Eu acho que você fica tão bonitinho quanto se desespera Cæsar. disse Lílliam olhando-o firmemente nos olhos. E quem disse que ela nos verá? Ela parece estar procurando alguém? Qualquer um que não seja o garoto-jambo que ela tem a tira-colo? perguntou ela olhando-o.

Cæsar observou como sua esposa (EX-esposa, corrigiu-se mentalmente) estava embevecida na companhia daquele rapaz, e percebeu que ela já parecia um tanto bêbada: o riso fácil e alto, os gestos erráticos. Sim, provavelmente ela bebeu muito além da conta, deve ter-se encharcado de Cosmopolitan (maldita Sexy And The City! Maldita Jessica Parker!!; pensou Cæsar); mas alí ele viu sua melhor chance de passar despercebido. Como ela estava, Marta não poderia distinguir um camundongo de um porquinho-da-índia. Era simplesmente perfeito!
Virou-se para Lílliam e pediu para irem embora; ele realmente já se sentia bastante alto e não queria ficar olhando sua (ex)esposa se agarrando com o Don Juan ali.
Ela sorriu e disse:

"No meu quarto ou no seu" e explodiu numa gargalhada enquanto se desculpava dizendo: 'Eu SEMPRE quis dizer isso!'.
Cæsar ri desconcertado e murmura "onde você quiser, minha rainha". Ela se delicia, sorri e diz: "então, meu fiel e leal súdito, sua rainha declara que será no seu quarto".

Cæsar faz uma reverência (quase perdendo o equilíbrio ao fazê-la) lhe estende a mão e saem juntos do bar em direção ao elevador. Chegam ao apartamento 1304, ele abre a porta e ela salta sobre ele, beijando-lhe a nuca, mordiscando sua orelha. O corpo de Cæsar vibra, treme de desejo e excitação.

Ele lhe rasga as roupas atirando-a sobre a cama; joga-se sobre ela: a beijando, mordiscando os mamilos, lambendo-lhe o corpo enquanto ela arfa e suspira; incitando-o a continuar.

-- Eu te amo Lílliam! Não consigo imaginar minha vida sem você!! Não sei como, nem porquê, mas tenho certeza que te amo! Diz Cæsar enquanto a toma para si.

Lílliam sorri, encara-o nos olhos empurando-o levemente para longe de si e dispara:

-- Então você me ama, Cæsar?

-- Sim!

-- Diga que sou linda. Pede Lílliam enquanto lambe a orelha de Cæsar; ele estremece e atende seu desejo; enquanto a penetra, Lílliam gira e fica por cima dele, seu corpo quente e macio parecendo embrulhar o corpo de Cæsar.

-- Me adore! Cante meus louvores!! Diz Líiliam.

-- Você é linda! Eu te adoro, você é minha Deusa; minha única razão de existir...

-- SIM! MAIS CÆSAR; MAIS!

-- Huuuuuuuuummmm Líliam, que delícia. Nunca senti nada como isso antes! Você... Você... Você é meu corpo! Minha alma, minha mente! NADA EXISTE A NÃO SER VOCÊ!!

Um estranho e incomum fulgor rubro começa a surgir no quarto, como que irradiado dos corpos sobre a cama. Cæsar começa a sentir um calor que lhe invade o corpo, uma sensação como a embreagez.

-- Que é isso?! Delícia! Você é Maravilhosa, Lílliam! Parece que você me engole!

-- Quem sou eu Cæsar?!

-- Você é minha Deusa do Amor, da Paixão, da Carne! Você é meu tudo!

A brilho escarlate vai ficando cada vez mais intenso até que tudo é engolfado em um escaldante clarão encarnado.
Segundos depois o clarão cessa e Lílliam está sozinha na cama, com uma expressão satisfeita no rosto.
Ela espreguiça-se sobre o colçhão e levanta-se preguiçosamente, a meio caminho do banheiro ela ouve curtas batidas à porta; ela faz um leve gesto e a porta abre-se de par-a-par e um jovem alto, com uma pele lustrosa e extremamente bronzeada; um cabelo luxuriante e impactantes olhos verdes entra no quarto, sorrindo para Lílliam fez um suave gesto e a porta do quarto trancou-se.

-- Como foi a refeição? perguntou ele.

-- Simplesmente DE-LI-CI-O-SO! Adoro quando eles estão loucos, no auge da paixão e fornicam de forma violenta! Ela respondeu enquanto entrava no banheiro e ligava a ducha sendo seguido por ele.

-- Já podemos ir então? Estou famélico! diz ele enquanto entra sob a ducha com ela.

-- Mas Kaine... Eu disse que você poderia ter-se servido da esposa. Ela não era nenhuma ogro. Responde Lílliam olhando de soslaio.

-- Você me conhece, Senhora. Conhece meus gostos! Ela simplesmente não se enquadrava. Retrucava Kaine.

Eles abraçam-se sob a água e tomam banho juntos. Escutam baterem na porta, mais e mais batidas. A funcionárias do hotel anunciando o serviço de quarto.

-- Próxima cidade? Pergunta Lílliam.

-- A próxima!! Responde o homem chamado Kaine.

Eles dão-se as mãos e desvanecem no ar em meio a uma nuvem de fumaça de vapor que escapa da ducha quente.

http://artrenewal.org/pages/artist.php?artistid=6620

segunda-feira, 6 de abril de 2015

-10ºC


Alguém me disse que eu deveria entender...
Entendê-la?

Não entendo, ao certo, como surgiu.

Mas há uma camada de gelo sobre tudo aquilo que construí!
Realmente, passamos nossas vidas construindo, produzindo, criando um ambiente que propicie a quem amamos, tanto quanto a nós, algo de belo, de sublime, de completo nesta vil realidade em que vivemos.

Então chega o inverno de nossa alma, e percebo como meus esforços não são valorizados.
No entanto certos...
Não vejo mais beleza alguma: tudo é branco e cinza e sem cor e sem alegria.
Fica somente a tristeza e a nostalgia do que um dia foi belo.

Houveram pessoas importantes que me ajudaram enquanto eu erijia meu Castelo de Esperanças.
Onde estão agora? Não sei.
O Inverno d'Alma as engoliu e me deixou só.
Tanto zelo...

E vejo tudo ser coberto pelo gelo dos corações mal-amados, pela escuridão da alma de muitos...
Posso até ter sonhos e alegrias... mas esse gelo que nasce no coração de tantos...
Quisera que fossem as obras em gelo de Harbin, na China; e não este tenebroso inverno que a tudo consome, desgasta, aniquila...

Como as árvores de um jardim coberto pela neve após uma temporada de inverno, sinto-me perdendo as folhas, ficando apenas os galhos secos...
Tudo parece sem nexo, não se entende nada!
Não espero que o gelo derreta e volte tudo ao normal, mas o inverno sempre chega...
E é sempre um novo começo...

E de novo olho para a arma em cima da mesa: a lustro, a lubrifico, a carrego e mais uma vez a deixo lá, dizendo carinhosamente: "Hoje não. Ainda não".